Novo ciclo político na América do Sul impacta a segurança regional

As instituições não pairam no ar. A máxima utilizada para demonstrar que toda organização política representa os interesses daqueles grupos e indivíduos que as compõem é útil para entender o atual giro de (não) atuação dos mecanismos de integração regional na América do Sul. Dois elementos podem ser destacados na atual conjuntura subcontinental: 1) a ascensão de forças neoliberalizantes e conservadoras em grande parte dos países, e 2) as crises econômicas explicadas dentro da narrativa de esgotamento dos modelos neodesenvolvimentistas.

 Os governos que chegam ao poder nesse contexto divergem em relação à forma como a subida se dá – democraticamente na Argentina e no Peru, ou por meio de golpes parlamentares no Paraguai e no Brasil –, mas contemplam-se pela agenda defendida: reformas neoliberalizantes, principalmente nas políticas sociais e trabalhistas; abertura de setores estratégicos das economias, principalmente os de exploração de recursos estratégicos; e novos padrões comerciais nos moldes dos megatratados de livre comércio como a Parceria Transpacífico (TPP), o Acordo sobre o Comércio de Serviços (TISA) e o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimentos (TTIP).

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As cidades globais e os prefeitos progressistas, por Yue Zhang e Aldo Fornazieri

Em 2001, o socialista Bertrand Delanoë foi eleito prefeito de Paris. Em 2014, Anne Hidalgo, igualmente socialista, foi eleita a primeira mulher prefeita da Capital francesa. Londres só passou a eleger prefeitos a partir de 2000. O seu primeiro prefeito foi Ken Livingstone, da ala esquerda do Partido Trabalhista, que ocupou o cargo até 2008 por ter sido reeleito. Em 2012, as duas maiores cidades da América Latina elegeram prefeitos progressistas e de esquerda: Haddad foi eleito prefeito de São Paulo e Miguel Ángel Mancera foi eleito para governar a Cidade do México. Em 2014, o ex-guerrilheiro Gustavo Petro foi eleito prefeito de Bogotá. Mais recentemente, em 2015, Ada Colau foi eleita prefeita de Barcelona e Manuela Carmena prefeita de Madrid pelo novo partido de esquerda, Podemos. Bill de Blasio, eleito prefeito de Nova York em novembro de 2013, pelo Partido Democrata, também pode ser considerado um prefeito de perfil progressista. Entende-se por progressista aqui, o político que comunga ideias sociais, humanistas, igualitárias e que defende uma modernização fundada no progresso, no bem estar e na sustentabilidade ambiental.

Há dois pontos em comum que conectam esses prefeitos aparentemente diferentes e distantes. Em primeiro lugar, enquanto localizados em diferentes países e continentes, eles são prefeitos de grandes cidades globais que têm posições de destaque na economia mundial e nos assuntos internacionais. Em segundo lugar, os prefeitos são todos de partidos socialistas, progressistas ou de esquerda. Então, por que cidades globais tendem a eleger prefeitos com este perfil?

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Nós, brasileiros, somos latino-americanos? Entrevista com Maria Antonia Dias Martins

A identidade latino-americana não é consensual entre todos os brasileiros. Diversos fatores históricos, políticos e culturais fizeram com que os cidadãos do país não se enxergassem como integrantes de uma comunidade maior que unifica pessoas de diversas nações em um bloco regional. A própria maneira de denominar a região já foi alvo de diversas controvérsias e o termo América Latina se consolidou apenas no pós-Segunda Guerra Mundial.

“A CEPAL foi uma das primeiras organizações a convencionar o termo América Latina para os países situados numa mesma região geográfica, com um passado histórico comum e tendo uma economia considerada subdesenvolvida e periférica dentro do capitalismo mundial. A força desta denominação não estava no passado colonial, mas no conjunto de problemas semelhantes que estes países deveriam enfrentar, incluindo sua relação com o vizinho mais próspero, os EUA”, diz a Drª Maria Antonia Dias Martins, professora de História e Política Latino-Americana do Centro Universitário Fundação Santo André, em entrevista à AMERI.

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A nova ordem mundial das cidades, por Fernando Santomauro

Tendências incentivadas mundialmente, como privatismos e terceirizações, trazem mais problemas do que soluções para as cidades

Por Fernando Santomauro

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Grafite em São Paulo. Foto: dafne sampaio_divulgacao.

Enquanto a quente guerra judicial e política nacional consomem os últimos milímetros de um fio de dinamite, as administrações municipais brasileiras já parecem encontrar um consenso ideológico – e em um cenário urbano de pós-guerra, causado por uma grave crise de arrecadação, serviços precarizados e uma nova ordem já estabelecida.

A grande maioria dos prefeitos brasileiros se vê encurralada entre, por um lado; a pressão popular e da opinião pública, os grandes lobbies e interesses que assediam as municipalidades, e por outro; pela falta de instrumentos de gestão pública adequados para responder aos problemas que batem às suas portas diariamente.

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