O que aprendemos com o Congresso Cidades Resilientes 2016?

O termo resiliência em contextos urbanos trata mais sobre pessoas do que qualquer outra coisa. Para cada base de dados, cada projeto, sempre há uma mediação humana: os servidores públicos, os líderes comunitários e os cidadãos que tornam a resiliência uma realidade.

Essa questão foi o fio condutor ao longo de todo o Congresso Cidades Resilientes 2016 (Resilient Cities 2016), encerrado há exatamente um mês, no dia 8 de julho, em Bonn, na Alemanha. Foram três dias de debates intensos e construtivos, que estimulou o compartilhamento de ideias, projetos e oportunidades entre os pares.


A plenária de encerramento, que já sinalizava para a temática de saúde urbana como um tema relevante para futuros debates, apresentou a história da cidade de Tainan, em Taiwan, que enfrentou uma das maiores e mais mortais epidemias de dengue entre os meses de junho a setembro (verão ao outono). Mais de 20.000 pessoas foram infectadas e mais de 100 pessoas morreram.

Como eles combateram a dengue e o que aprenderam deste processo foi resumido pelo Vice-Secretário-Geral, Shin-Ching Liu: governos locais e cidadãos precisam atuar em parceria. Essa é a única maneira que tais situações podem ser superadas de forma comunitária.

Em sua fala final, o prefeito da cidade de Bonn, Alemanha, Ashok Sridharan, ressaltou que o “otimismo transformador”, uma expressão que foi cunhada pela ex-chefe da UNFCCC Christiana Figueres, é o que motiva as cidades a fazerem de todos esses processos globais uma realidade concreta e um projeto sólido para o futuro.


7a edição do Resilient Cities
Nessa edição do Congresso, três grandes linhas de trabalho foram lançadas: (i) como financiar a resiliência, (ii) como garantir que ela seja inclusiva e (iii) como levar a questão adiante na agenda global. O evento contou com a participação de mais de 300 pessoas de 40 países, reunidos pelo sétimo ano para discutir sobre resiliência urbana, em Bonn.

Após os três dias de debate, tornou-se claro que todas essas questões estão essencialmente interconectadas. É impossível avançar com a agenda global sem o envolvimento dos cidadãos, e em particular dos moradores de favelas e comunidades marginalizadas, que geralmente são o pilar central das economias locais. O caso de Accra, em Gana, representa bem essa situação, uma vez que a chamada “economia informal” compõe uma grande parte da economia local.

Projetos de resiliência, geralmente, ainda estão fora do alcance financeiro das autoridades locais. É necessário muito dinheiro para construir novas infraestruturas verdes e resilientes, bem como para reformar e melhorar estruturas já existentes. Então, como fazer a conexão acontecer? Novamente, são as pessoas que desempenham esse papel e que precisam ampliar seus conhecimentos técnicos a respeito dessa agenda, engajarem-se mais no planejamento e implementação de ações municipais são cruciais para garantir sucesso a longo prazo e, assim, encontrarem caminhos para viabilizar questões financeiras dos projetos.

E agora? O caminho de Bonn para Quito, onde será realizada a Conferência da ONU sobre Habitação e Desenvolvimento Urbano Sustentável Habitat III, em outubro, será mais uma jornada emocionante. Na ocasião, será lançada uma nova agenda urbana. Nos últimos dois anos, a agenda global avançou em muitas frentes: a Declaração de Sendai e o Marco para a Redução de Riscos de Desastres 2015-2030 ; os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), incluindo o Objetivo 11 sobre cidades; e o emblemático Acordo de Paris sobre mudança climática, firmado durante a COP-21.

Agora, todas as partes terão de se alinhar, destacando uma visão para as cidades sustentáveis do futuro. Nós do ICLEI, principal associação mundial de governos locais dedicados ao desenvolvimento sustentável, com certeza temos uma. E, enquanto começamos a pensar o Congresso Cidades Resilientes 2017, estamos mais certos do que nunca que essa visão precisa ser concretizada por pessoas, ou não ocorrerá.


Fonte: ICLEI.

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