Especialista em integração regional sul-americana participa de evento na Prefeitura de São Paulo

Olivier Dabène, professor da instituição francesa Sciences Po, esteve na Prefeitura de São Paulo nesta terça-feira (10), onde  ministrou palestra sobre cooperação regional sul-americana durante o Diálogos São Paulo no Mundo, iniciativa da Secretaria de Relações Internacionais e Federativas que convida periodicamente especialistas  em temas relacionados à gestão das cidades e ao cenário internacional.

Dabène avaliou que, ao contrário da Europa, o continente tem passado desde a metade do século XX por ondas de assinaturas de tratados e processos sub-regionais. A primeira onda foi marcada pelo discurso desenvolvimentista e protecionista dos anos 60, marcada pela influência da CEPAL, seguida por uma segunda etapa de revisão de tratados e flexibilização de prazos. A terceira onda foi a constituição do Mercosul num esforço de criar um regionalismo aberto e de inspiração neoliberal. Finalmente, destacou a atual conjuntura da integração, guiada por um projeto crítico ao neoliberalismo e liderada por governos progressistas.

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O professor notou que o que caracteriza o regionalismo sul-americano são processos pouco institucionalizados e com forte participação de atores não estatais, como a academia. Dabène lembrou o Grupo de Montevidéu, constituído por acadêmicos logo no início do Mercosul e abordou a questão de como atores com interesses mais focados e de ordem econômica ainda preferem negociar nacionalmente. “Atores como a FIESP, por exemplo, tendem a pressionar o governo brasileiro devido à posição dominante que ocupa [no bloco]”, analisou.

Na comparação com a Europa, a atual crise no velho continente revela, na opinião do professor, algumas brechas na alta institucionalização e burocracia supranacionais. “A Europa pode estar indo para o modelo latino-americano, não o contrário”, disse.

Olivier Dabène dirigiu o Campus Euro-latino-americano da Sciences Po (Poitiers), entre 2006 e 2011, bem como o departamento de Ciências Políticas da instituição em Paris, de 2010 a 2012. Está no país a convite do Centro de Formação, Treinamento e Aperfeiçoamento da Câmara dos Deputados (CEFOR), onde ministrou um curso de Política Contemporânea na América Latina.

O professor tem laços com a cidade de São Paulo, tendo já trabalhado junto ao corpo consular francês na capital. No campo acadêmico, analisou políticas públicas ligadas a comunidades periféricas implementadas pela gestão Marta Suplicy no livro “Exclusão e Política em São Paulo: os outsiders da democracia”.

Além de servidores da Prefeitura de São Paulo, estiveram presentes nesta edição do Diálogos gestores dos municípios de Limeira e São Bernardo do Campo. São Paulo, que coordena o FONARI no biênio de 2014-2015, passa a convidar os gestores municipais da Região Metropolitana e cidades próximas para acompanhar os encontros.

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